Inspiro-me
nos teus olhos.
(tudo a desfocar-se...)
Um fascínio natural
soergue-se do medo
e suspira a memória,
dobrada a esquina lúcida.
Encontro a criança
impossível,
intangível
nos contos que foi
o sonho ido,
o sono vivido
em serena emoção.
Percebo o que é
o sublime.
Regresso a mim
de mim.
Aguardo
a tua presença
celestial
que desnudo
utópicamente
da distância triste
que é a minha luta
contra a minha mesma
distância...
a minha mesma distância,
repito,
algo irritadamente.
Tudo isto se passa ao de leve,
no poema
de fim-de-tarde,
o coração pulsando ao de leve
as tonalidades do pôr-de-sol
e o não querer deixá-las partir
noite e sombra fora...
...o cintilante verde dos teus olhos...
...encarnação viva da eternidade...
...para lá de limiares estéticos...
...o verde suave e absoluto dos teus olhos...
...e sobretudo,
tu contida neles.